ECONOMIA
Lindbergh Farias denuncia hipocrisia fiscal das elites e defende justiça tributária para o povo brasileiro
Segundo Lindbergh, existe uma tentativa explícita de jogar o peso do chamado “ajuste fiscal” nas costas do povo mais pobre. Ele criticou propostas que visam desvincular o salário mínimo da Previdência Social, o que abriria brecha para que aposentados recebessem menos que um salário mínimo. “Imagina um aposentado ganhar menos do que o mínimo. E eles ainda vêm falar da situação fiscal do Brasil?”, questionou indignado.
19/06/2025 09h59 Atualizada há 1 ano
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Em um vídeo compartilhado em suas redes sociais, o deputado federal e ex-senador Lindbergh Farias fez um desabafo contundente ao final de mais um dia de trabalho, denunciando o que classificou como “hipocrisia das elites brasileiras” na condução da política fiscal e tributária do país.

Segundo Lindbergh, existe uma tentativa explícita de jogar o peso do chamado “ajuste fiscal” nas costas do povo mais pobre. Ele criticou propostas que visam desvincular o salário mínimo da Previdência Social, o que abriria brecha para que aposentados recebessem menos que um salário mínimo. “Imagina um aposentado ganhar menos do que o mínimo. E eles ainda vêm falar da situação fiscal do Brasil?”, questionou indignado.

O político ainda destacou o contraste entre os altos lucros dos bancos e grandes grupos econômicos, que, segundo ele, são os primeiros a se levantar contra qualquer medida que os faça pagar mais impostos e o sacrifício exigido do povo trabalhador. Um dos exemplos apontados foi o fato de uma professora da rede municipal pagar 27,5% de imposto de renda, enquanto pessoas com altos rendimentos em investimentos isentos, como LCA (Letra de Crédito do Agronegócio), não são tributadas. “Como é que quem ganha 300 mil reais por mês pode ser isento?”, disparou.

Lindbergh citou ainda o livro Os Donos do Poder, de Raymundo Faoro, para contextualizar o que considera ser um padrão histórico do Brasil, o patrimonialismo das elites, que se apropriam do Estado em benefício próprio. Ele lembrou que o país gasta quase R$ 1 trilhão por ano com juros da dívida, enquanto as políticas sociais sempre alvos de cortes, somam uma fração disso. “Gastam 970 bilhões com juros e reclamam de 18 bilhões para políticas sociais”, completou.

A fala do ex-senador evidencia o que ele define como uma “velha luta de classes”, em que o orçamento público é disputado por uma elite que se recusa a dividir os recursos e a contribuir de forma justa com a sociedade. “Essa elite nunca assentou com os pobres, só quer acumular”, criticou.

Lindbergh encerrou o vídeo reforçando seu apoio ao presidente Lula e ao ministro Fernando Haddad, e reafirmou o compromisso com uma luta por um Brasil mais justo e igual.

Para Joeides Pereira, economista, pós graduado em Economia Brasileira para Negócios pela USP, em apoio à declaração de Lindbergh Farias:

“Concordo plenamente com o que disse o deputado Lindbergh Farias. Como economista, é revoltante ver que ainda temos um sistema tributário que penaliza quem trabalha e protege quem lucra sem produzir. Uma professora da rede pública pagar 27,5% de imposto de renda enquanto grandes investidores com rendimentos mensais altíssimos em apcações financeiras isentas continuam sem contribuir proporcionalmente é, no mínimo, imoral.

A elite econômica brasileira insiste em manter seus privilégios, sempre empurrando o custo do ajuste fiscal para o trabalhador e os aposentados. E quando se propõe uma reforma tributária mais justa, que tribute os super-ricos ou as grandes fortunas, levantam a velha desculpa do ‘risco aos investimentos’. Isso é cinismo.

O Brasil precisa urgentemente de uma política fiscal progressiva, onde quem ganha mais, paga mais, como já acontece em várias democracias avançadas. Enquanto continuarmos priorizando o pagamento de juros da dívida pública, que consome quase R$ 1 trilhão por ano, e tratando os investimentos sociais como ‘gasto’, vamos continuar perpetuando a desigualdade histórica do nosso país.

O que Lindbergh fala não é discurso político, é um alerta técnico e realista. Estamos diante de um sistema desigual, sustentado por uma elite patrimonialista que se recusa a ceder qualquer espaço em nome do bem coletivo. A luta por justiça fiscal é também uma luta por dignidade social.”