PESQUEIRA
Justiça Eleitoral cassa mandato do prefeito de Pesqueira por abuso de poder político e econômico
O Delegado Rossine, principal adversário político de Marcos e derrotado na disputa municipal, acusou e caiu junto: denunciante e prefeito de Pesqueira são condenados pela Justiça Eleitoral
19/06/2025 16h30 Atualizada há 1 ano
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Foto/ZEDOPOVO.com.br

A Justiça Eleitoral de Pesqueira, no Agreste de Pernambuco, determinou a cassação do mandato do prefeito Marcos Luidson de Araújo, conhecido como Cacique Marcos (Republicanos), e de sua vice, Cilene Martins de Lima, ambos eleitos nas eleições de 2024. A decisão, assinada pelo juiz Rodrigo Flávio Alves de Oliveira, também os torna inelegíveis por oito anos, até 2032.

A sentença resulta de uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) que identificou abuso de poder político e econômico durante a campanha. Na mesma decisão, o ex-prefeito Sebastião Leite da Silva Neto, o Bal de Mimoso, também foi declarado inelegível pelo mesmo período.

Um detalhe que chama atenção no processo é que a ação foi movida por Rossine Cordeiro, o Delegado Rossine, principal adversário político de Marcos e derrotado na disputa municipal. No entanto, Rossine também acabou condenado em outro processo, com base em acusações de uso indevido dos meios de comunicação e disseminação de desinformação, sendo igualmente declarado inelegível por oito anos pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE). Todos os envolvidos ainda podem recorrer da decisão.

O prefeito Cacique Marcos já havia sido afastado do cargo por 30 dias em abril deste ano durante a operação "Pactum Amicis", realizada pela Polícia Civil de Pernambuco em conjunto com o Ministério Público do Estado (MPPE). A operação investigava suspeitas de fraudes em licitações, corrupção e lavagem de dinheiro, com um suposto prejuízo de R$ 15,7 milhões aos cofres públicos. Apesar da gravidade das denúncias, o prefeito retornou ao cargo após decisão do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), que negou a prorrogação da medida cautelar.

Mesmo após a nova decisão judicial, Marcos afirmou que seguirá à frente da gestão municipal enquanto o processo tramita nas instâncias superiores. Em nota divulgada nas redes sociais, ele negou qualquer irregularidade e afirmou confiar na reversão da sentença: "Recebo a decisão com serenidade e sigo como prefeito de Pesqueira, trabalhando pelo nosso povo. A decisão não é definitiva, e acredito que será revertida nas instâncias superiores, assim como já ocorreu em casos semelhantes. Nosso mandato foi conquistado com o apoio de mais de 19 mil pesqueirenses. Não houve irregularidades, apenas muito trabalho e dedicação."

O caso agora segue para análise dos tribunais superiores, enquanto a instabilidade política permanece no município.