No dia 24 de junho, o Brasil celebra São João Batista, um santo que ultrapassou os altares da igreja para se tornar símbolo da festa mais querida do Nordeste. Hoje é dia de São João, um dos santos mais celebrados pela fé cristã e pela cultura popular brasileira. No calendário católico, 24 de junho marca o nascimento de São João Batista, o profeta que anunciou a vinda de Jesus Cristo e o batizou nas águas do rio Jordão.
Na Europa medieval, especialmente em Portugal e França, a festa em homenagem ao santo era marcada por fogueiras, danças e celebrações comunitárias. Com a chegada dos colonizadores ao Brasil, esses costumes atravessaram o oceano e encontraram no solo nordestino um povo acolhedor, alegre e devoto, pronto para transformar a fé em festa.
Jesus e São João Batista eram primos de sangue.
Segundo a tradição cristã, suas mãe, Maria e Isabel eram parentes, e o nascimento de João aconteceu cerca de seis meses antes do nascimento de Jesus. Inclusive, quando Maria visita Isabel (relatado no Evangelho de Lucas), diz a Bíblia que João, ainda no ventre, estremeceu de alegria com a presença de Maria grávida de Jesus. Esse momento é considerado o primeiro reconhecimento de Jesus como o Salvador, mesmo antes de ambos nascerem.
No Nordeste, o São João cresceu e se enraizou. Aqui, ganhou sabor de milho verde, pamonha e canjica, o som contagiante do forró pé de serra e a alegria das quadrilhas e bandeirolas. Acender a fogueira virou tradição, e diz a sabedoria popular que foi Santa Isabel, mãe de João, quem acendeu a primeira chama para anunciar seu nascimento à Virgem Maria.
A festa junina no Nordeste é mais que uma comemoração religiosa. É também um tempo de agradecimento pela colheita, de encontros familiares e de resistência cultural. Cada arraiá, cada sanfona tocando no salão, carrega o legado de séculos de fé, história e identidade.
Por isso, neste 24 de junho, ao soltar fogos, dançar forró ou sentar ao redor da fogueira, lembre-se: celebrar São João é manter viva a alma do povo nordestino.