O que era para ser mais uma etapa de uma viagem dos sonhos pela Ásia acabou se transformando em tragédia. A brasileira Juliana Marins, de 26 anos, natural de Niterói (RJ), faleceu após sofrer uma queda de mais de 600 metros durante uma trilha no Monte Rinjani, na ilha de Lombok, na Indonésia.
A seguir, reconstruímos o caso, dia a dia, com base em fontes oficiais do Brasil e da Indonésia, além do acompanhamento da família, autoridades e mídia internacional.
Dia 21 de junho – O acidente
Juliana, que viajava sozinha pelo sudeste asiático desde fevereiro, subia o Monte Rinjani, um dos vulcões mais altos e perigosos da Indonésia, quando sofreu uma queda brutal em uma parte íngreme da trilha, por volta das 17h30 (horário local). Ela despencou aproximadamente 600 metros de altura, caindo em um penhasco profundo e de difícil acesso.
Acompanhada de um guia local, que pediu ajuda imediatamente após o acidente, Juliana foi dada como desaparecida enquanto equipes locais iniciavam os primeiros esforços de busca.
Dia 22 de junho – Drones e neblina
Equipes de resgate utilizaram drones com sensores térmicos para localizar Juliana. Imagens mostravam seu corpo imóvel em meio à vegetação fechada e rochas, a cerca de 500 a 650 metros abaixo da trilha principal.
No entanto, as condições climáticas adversas, como neblina densa e chuva, impediram que os socorristas chegassem até o local onde ela estava. O terreno era escorregadio, instável e com risco de deslizamento.
Dia 23 de junho – Desinformação e angústia
Com a lentidão do resgate, começaram a circular informações falsas de que Juliana teria sido encontrada com vida, recebido alimentos ou roupas. A família desmentiu: nenhuma equipe havia conseguido contato físico com ela até então.
O pai de Juliana, Manoel Marins, embarcou para Bali ainda neste dia para acompanhar pessoalmente os trâmites e cobrar esforços do governo indonésio. Ele foi recebido por diplomatas brasileiros da Embaixada em Jacarta e por autoridades locais.
Dia 24 de junho – Corpo é encontrado
Após quatro dias de espera, o corpo de Juliana foi finalmente alcançado pelos socorristas. Ela estava em uma área extremamente perigosa e de difícil resgate. A morte foi confirmada pela família em nota nas redes sociais:
“Com imensa dor informamos que nossa Juliana não resistiu. Agradecemos todas as orações e apoio de tantas pessoas que acompanharam essa angústia conosco.”
Alerta sobre a trilha
Segundo dados oficiais da própria Indonésia, a trilha do Monte Rinjani já contabiliza 8 mortes e mais de 180 incidentes nos últimos cinco anos. Embora turística, a área exige experiência, preparo físico e cuidados redobrados.
Autoridades locais afirmam que vão reavaliar os protocolos de segurança e exigências para guias e turistas estrangeiros.
O Itamaraty confirmou que acompanhou o caso desde o início. O consulado em Bali e a embaixada em Jacarta prestaram suporte à família. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por meio de sua assessoria, lamentou a tragédia.
O corpo de Juliana será encaminhado para o Brasil nos próximos dias. A família ainda lida com a burocracia e os trâmites consulares e sanitários internacionais. O velório deve ocorrer em Niterói, em cerimônia reservada.