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PRFs veteranos são “desconectados” dos novatos por ordem interna polêmica: “práticas desalinhadas”?
Documento da PRF recomenda evitar contato entre policiais em transferência e novos agentes para “impedir práticas desalinhadas”. Federação repudia e gestão recua.
25/06/2025 09h44 Atualizada há 1 ano
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Uma circular interna da Polícia Rodoviária Federal (PRF) gerou forte repercussão entre os agentes da corporação e trouxe à tona um clima de insatisfação generalizada. O documento, intitulado “Alinhamento sobre recepção de novos PRFs”, recomenda que os policiais em processo de movimentação para outros postos não mantenham “contato prolongado” com os novos colegas recém-formados.

A justificativa apresentada no comunicado causou ainda mais estranhamento:

“A recomendação é que a transição ocorra de forma breve, evitando a transferência de práticas desalinhadas com o novo modelo institucional e garantindo que os alunos recebam referências atualizadas e integradas com a cultura organizacional vigente.”

Mas o que seriam essas “práticas desalinhadas”?

Essa pergunta ecoou com força dentro da instituição. Não há, no documento, qualquer detalhamento sobre quais condutas estariam sendo consideradas inadequadas ou ultrapassadas. A falta de clareza levantou suspeitas e gerou um sentimento de generalização e desrespeito à atuação de agentes experientes, muitos com décadas de serviço prestado à segurança pública nas rodovias do país.

A resposta foi imediata: a FenaPRF (Federação Nacional dos Policiais Rodoviários Federais) classificou o texto como “inaceitável, perigoso e desrespeitoso”.

“Esse trecho sugere que colegas experientes estejam desconectados da atual cultura institucional. É um ataque ao patrimônio histórico da PRF, à troca de experiência e à identidade da corporação”, destacou a entidade em nota.

Foto : Polícia Rodoviária Federal

 

Crise interna e pedido de retratação

Diante da intensa repercussão, a própria diretoria-executiva da PRF solicitou a revisão do item 5 da circular. O diretor-geral da PRF, Fernando Oliveira, também publicou um comunicado para tentar conter os ânimos, afirmando que:

“O conteúdo não reflete a visão institucional e será corrigido para garantir a coesão e o respeito entre todos os servidores, novos e antigos.”

Apesar do recuo, o episódio escancarou um conflito velado dentro da PRF: o choque entre a tentativa de “modernização” da cultura interna e o apagamento da experiência acumulada de quem construiu a história da corporação nas estradas brasileiras.

Repercussão política deve crescer nos próximos dias

Nos bastidores, parlamentares ligados à segurança pública já se mobilizam para levar o tema ao Congresso. A bancada da segurança promete convocar a direção da PRF para prestar esclarecimentos, com a justificativa de que a circular compromete o espírito de corpo e fere a coesão da tropa.