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SASSEPE na mira: servidores temem privatização após “leilão” promovido pelo governo de Pernambuco
Servidores públicos denunciam falta de transparência e exigem explicações sobre os riscos para o sistema de saúde dos funcionários estaduais
01/07/2025 03h32 Atualizada há 1 ano
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Uma forte onda de preocupação tem tomado conta dos servidores públicos de Pernambuco após a notícia do chamado leilão do SASSEPE, promovido pelo governo do Estado. A operação, que envolveu a antecipação de pagamentos com desconto a prestadores de serviços de saúde, está sendo vista com desconfiança por entidades sindicais e usuários do sistema. Para muitos, essa pode ser a primeira etapa de um processo silencioso de desmonte e privatização do Instituto de Saúde dos Servidores Públicos de Pernambuco (IASSEPE).

O que o governo chama de "leilão reverso" foi, na prática, uma forma de quitar parte de uma dívida de R$ 104 milhões com hospitais, clínicas e laboratórios, oferecendo R$ 70 milhões para os credores que aceitassem descontos. Apenas 39 prestadores participaram ativamente da disputa, um número que acendeu o alerta para falta de clareza e divulgação adequada da proposta.

Entidades como o SINTEPE, a ASSEPE, o CONDESPE e o Conselho Fiscal do IASSEPE apontam ausência de diálogo e transparência. Eles denunciam que não foram previamente informados sobre os termos do leilão, nem tampouco convidados a debater os possíveis impactos.

“Estão vendo essas movimentações do governo contra o SASSEPE de maneira suspeita”, disse uma integrante da ASSEPE em mensagem encaminhada a grupos de servidores. “Temem, sim, que essas iniciativas levem à privatização.”

De quem é a responsabilidade?

A condução do processo está sob responsabilidade direta da gestão da governadora Raquel Lyra (PSD), através do Instituto IASSEPE. O leilão faz parte do Plano de Equilíbrio Fiscal (PEF), um compromisso firmado entre o governo estadual e o Ministério da Fazenda para garantir acesso a crédito, mas que exige medidas de ajuste, incluindo controle de gastos e redução de passivos.

No entanto, ao aplicar esse modelo sem diálogo com os principais interessados, os próprios usuários do sistema, o governo abriu uma crise de confiança. A principal crítica recai sobre a forma como a operação foi feita, com pouca publicidade, escassa participação e sem os conselhos gestores.

Diante da apreensão crescente, as entidades representativas estão convocando os servidores à mobilização. Para elas, só uma reação coletiva, forte e persistente pode impedir o que consideram um desmonte do serviço de saúde dos funcionários públicos.

Uma reunião entre os conselhos gestores e a direção do IASSEPE está sendo articulada para os próximos dias. O objetivo é cobrar explicações, exigir acesso aos dados do leilão e discutir alternativas para manter e fortalecer o sistema sem abrir espaço para privatizações disfarçadas.

O risco de desmonte do SASSEPE afeta a vida de milhares de pessoas: trabalhadoras e trabalhadores da ativa, aposentadas/os, pessoas com deficiência e famílias inteiras que dependem de um sistema público de saúde digno. A falta de diálogo com os conselhos e a pressa nas decisões sem transparência levantam o alerta para um possível processo de privatização disfarçada. A luta pela manutenção do SASSEPE é coletiva, diversa e precisa de todas as vozes.

 “Ou a gente se une agora, ou vamos perder de vez o SASSEPE como conhecemos. É agora ou nunca!”, alertou uma liderança do movimento.

Wagner Gonçalves Lyra, Instituto de Atenção à Saúde dos Servidores (Iassepe)

Parente da governadora, Wagner passa a liderar o órgão que cuida da saúde dos servidores. A escolha, apesar de sensível, pode ser vista como reforço de confiança e controle interno em uma área vital, tanto em termos administrativos quanto políticos.

Nossa equipe seguirá acompanhando de perto os desdobramentos dessa história. O SASSEPE é um patrimônio dos servidores públicos pernambucanos, e sua defesa, um dever de todos.