Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (2) pela Genial/Quaest revela que a maioria dos deputados federais é favorável à ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda (IR) para até R$ 5 mil mensais, proposta defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O levantamento aponta que 88% dos parlamentares apoiam a medida, enquanto apenas 5% são contrários e 7% preferiram não opinar.
A proposta de ampliação da isenção do IR integra a estratégia do governo para aliviar a carga tributária da classe média e deve se consolidar como uma das bandeiras de Lula para as eleições de 2026. Em junho, a Câmara aprovou a correção da tabela do imposto para isentar quem recebe até dois salários mínimos, o equivalente a R$ 2.428,80. O novo projeto, que amplia ainda mais a faixa de isenção, aguarda análise no Senado.
Por outro lado, duas pautas em tramitação na Câmara enfrentam forte rejeição entre os deputados. O fim da escala de trabalho 6 por 1, em que o trabalhador folga um dia a cada seis de trabalho, é rejeitado por 70% dos parlamentares. A proposta, de autoria da deputada Erika Hilton (PSOL-SP), propõe mais dias de descanso e vem sendo debatida por movimentos sociais e especialistas em saúde mental.
Outra proposta que não encontra respaldo entre os parlamentares é a exclusão das verbas do Judiciário do teto de gastos. Também com 70% de rejeição, a medida enfrentaria resistência por mexer no atual arcabouço fiscal e afetar diretamente a autonomia orçamentária do Judiciário.
Além dessas três pautas, a pesquisa consultou os deputados sobre outros temas relevantes. A seguir, os principais resultados:
Exploração de petróleo na Amazônia: 83% a favor
Aumento das penas para roubo: 76% a favor
Reforma tributária (segunda fase): 63% a favor, 29% contra
Proibição de apostas online por beneficiários de programas sociais: 55% a favor
Novo projeto de educação a distância (EAD): 53% a favor, 35% contra
Combate aos supersalários: cerca de 48% a favor, com variação por tipo de função
A pesquisa foi realizada entre 7 de maio e 30 de junho de 2025 e ouviu 203 dos 513 deputados federais, o equivalente a cerca de 40% da Câmara dos Deputados. A margem de erro é de 4,5 pontos percentuais. A amostra foi estratificada por região, partidos e posicionamento político, segundo a Quaest.
Os dados revelam um parlamento sensível a medidas de impacto direto sobre a renda da população, mas ainda conservador em mudanças estruturais no mercado de trabalho. Temas como a ampliação da isenção do IR têm grande apelo eleitoral e tendem a avançar com mais facilidade. Já propostas que alteram direitos trabalhistas ou regras fiscais enfrentam maior resistência.
A pesquisa também indica que, apesar da polarização política, há convergência entre diferentes bancadas em pautas como segurança pública e recursos naturais. A expectativa é que o governo federal use os dados para calibrar sua estratégia de articulação junto ao Congresso nos próximos meses.