SERRA TALHADA
Juliana Tenório está perdendo o mandato, 2X0: TRE-PE julga fraude à cota de gênero em Serra Talhada
Relatora vê “candidatura laranja” e simulação de prestação de contas; votação está 2 a 0 contra o partido e vereadora eleita
09/07/2025 03h34 Atualizada há 12 meses
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Foto/ZEDOPOVO.com.br

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE‑PE) iniciou nesta terça-feira (8) o julgamento de um processo que acusa o partido Solidariedade de ter utilizado candidaturas femininas fictícias para cumprir a cota de gênero nas eleições de 2024, em Serra Talhada. A relatora do caso, desembargadora Karina Aragão, votou pela cassação de todos os registros de candidatura da legenda, incluindo o diploma da vereadora eleita Juliana Tenório, que está perdendo o mandato. O processo, registrado sob o número 0600626-31.2024.6.17.0071, figura na pauta oficial do tribunal, publicada no site da corte.

Durante o voto, desembargadora apontou indícios de que houve fraude eleitoral, com destaque para o caso da candidata Jéssica Bianca.

“Teve uma prestação de contas simulada e uma candidatura laranja”, afirmou a magistrada.

Além da cassação dos candidatos eleitos e não eleitos, o voto da relatora também propõe:

A nulidade dos votos atribuídos ao Solidariedade em Serra Talhada;

A retotalização dos votos válidos no município;

E a declaração de inelegibilidade para Valdir Tenório Júnior (presidente do partido), Jéssica Bianca, Ana Michele de Barro e Silva e Juliana Aparecida Corrêa Tenório (Juliana Tenório) essa última vereadora eleita.

Logo após o voto da relatora, o desembargador Fernando Sequeira antecipou voto acompanhando integralmente seu entendimento, deixando o placar em 2 a 0 pela cassação. O julgamento, no entanto, foi suspenso após pedido de vista do desembargador André Luiz. Os demais membros do TRE aguardam o voto-vista para concluir a deliberação.

Com esse cenário, Juliana Tenório está perdendo o mandato e o Solidariedade corre o risco de perder toda sua representação política em Serra Talhada.

A data para a retomada do julgamento ainda não foi definida pelo tribunal.

GRAVATÁ, CIDADE AGUARDA JULGAMENTO

Em Gravatá, a situação é parecida e igualmente grave. A Justiça Eleitoral da 30ª Zona reconheceu que o partido Mobiliza utilizou uma candidatura feminina laranja, a de Bruna Luana de Lira Marques, que não recebeu votos, não fez campanha e não teve repasses do fundo partidário.

A sentença determinou a cassação do DRAP do Mobiliza e dos mandatos dos vereadores eleitos pela sigla, incluindo Eduardo Cassapa. Também foi decretada inelegibilidade para os envolvidos.

Apesar de uma liminar obtida pela defesa de Cassapa garantir sua permanência temporária no cargo, nos bastidores da Câmara o clima já é de despedida. Segundo apuramos, Cassapa está de malas prontas para deixar o gabinete, enquanto o suplente Ricardo Malta já comprou o paletó e aguarda apenas a decisão oficial.