O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou uma medida polêmica: a aplicação de uma tarifa de 50% sobre todos os produtos importados do Brasil a partir de 1º de agosto. O motivo, segundo ele, seria o "ataque à liberdade de expressão" no país e a "perseguição política" ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
Mas afinal, o que isso muda na vida do brasileiro? E se o Brasil der o troco, quem perde mais?
A tarifa de 50% encarece todos os produtos brasileiros que são vendidos aos americanos. Isso deve afetar fortemente as exportações do nosso país e, consequentemente, empregos e preços aqui dentro.
Exemplo prático: o café brasileiro
Hoje, uma saca de café custa em média US$ 100 (cerca de R$ 550) para um importador dos EUA. Com a nova tarifa, passaria a custar US$ 150 (cerca de R$ 825). Resultado: o café brasileiro perde espaço para concorrentes como o da Colômbia ou do Vietnã, e o produtor daqui pode vender menos, com risco de demissões no setor.
Produtos que devem ser mais afetados: carne bovina e de frango, café e derivados, suco de laranja, aviões (como os da Embraer), Soja, milho e outros grãos
O Governo Lula reagiu com indignação, dizendo que a medida é injusta e política. O Ministério das Relações Exteriores já anunciou que estuda recorrer à OMC (Organização Mundial do Comércio) e pode adotar medidas de reciprocidade ou seja, aplicar tarifas semelhantes contra produtos dos EUA.
E se o Brasil der o troco?
Se o Brasil também aplicar uma tarifa de 50% sobre produtos importados dos Estados Unidos, os impactos podem ser grandes dos dois lados.
O que o Brasil compra dos EUA:
Produto Valor anual aproximado (em dólares)
Combustíveis (diesel, gás natural) US$ 6 bilhões
Medicamentos e insumos farmacêuticos US$ 2,5 bilhões
Veículos e autopeças US$ 2 bilhões
Máquinas, equipamentos e eletrônicos US$ 1,8 bilhão
Peças aeronáuticas e tecnológicas US$ 1,5 bilhão
Consequências da reciprocidade para os EUA:
Perda de mercado no Brasil, que é um dos 10 principais parceiros comerciais dos americanos.
Prejuízo para grandes empresas que vendem para o Brasil, como Pfizer, Ford, GE, Caterpillar.
Pressão política interna contra Trump, por parte do setor exportador americano.
Para o Brasil:
Aumento de preços, especialmente em combustíveis, remédios e equipamentos. prejuízo para o consumidor e para a indústria, que depende de muitos desses insumos. Risco de inflação em setores sensíveis como saúde e transporte.
Exemplo prático: remédio importado
Um medicamento americano que hoje custa R$ 100 no Brasil, com a nova tarifa, poderia passar a custar R$ 150.
Isso pode afetar a saúde pública, hospitais e até o bolso de quem compra na farmácia.
Fica a pertunta, vale a pena revidar?
É uma decisão complexa. Retaliar mostra firmeza e protege o país de ser visto como fraco. Por outro lado, também pode prejudicar o consumidor brasileiro e agravar os preços internos. O governo estuda buscar novos parceiros comerciais e diversificar as importações para não ficar dependente dos EUA.