TAXA DE TRUMP
Nordeste projeta perdas bilionárias com nova taxação dos EUA sobre produtos brasileiros
Estudo da Sudene aponta que medida anunciada por Washington ameaça diretamente exportações do Ceará, Bahia e Maranhão, que lideram o comércio com os norte-americanos na região
11/07/2025 04h24 Atualizada há 12 meses
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Um estudo elaborado pela Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) revelou que os efeitos da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros podem atingir fortemente a economia nordestina. Ceará, Bahia e Maranhão são os estados mais vulneráveis à medida, pois respondem por mais de 84% das exportações da região para o mercado norte-americano.

 

 

Somente nos seis primeiros meses de 2025, o volume exportado do Nordeste para os EUA ultrapassou a marca de US$ 1,58 bilhão, o equivalente a R$ 8,7 bilhões. O Ceará lidera esse comércio, seguido por Bahia e Maranhão, que juntos sustentam a maior parte da corrente exportadora da região.

“O comércio exterior é uma via de mão dupla. Quando um país adota barreiras, também se arrisca a receber retaliações”, observou o superintendente da Sudene, Danilo Cabral. Em 2024, o Nordeste importou quase US$ 6 bilhões em produtos norte-americanos, o que corresponde a mais de R$ 33 bilhões. Segundo ele, os próprios Estados Unidos podem ser prejudicados caso a política de reciprocidade seja aplicada pelo Brasil.

A análise inclui também o desempenho de 2024, quando os estados de Bahia, Maranhão, Ceará e Pernambuco movimentaram cerca de US$ 2,5 bilhões em exportações destinadas aos EUA. O montante representa a maior parte dos R$ 15,6 bilhões em vendas internacionais da região no período, considerando a cotação média do dólar atual.

A aplicação da tarifa de 50% preocupa, especialmente pela possibilidade de retração no volume de negócios com os EUA, que historicamente é um dos maiores destinos dos produtos nordestinos. “Um aumento abrupto nos preços pode tornar nossos produtos menos competitivos e provocar uma queda considerável nas vendas externas”, explicou José Farias, coordenador da área de Estudos e Inovação da Sudene.

Entre os itens mais exportados pelo Nordeste para os EUA estão:

Esses produtos, muitos com valor agregado médio, são altamente sensíveis a variações tarifárias e podem perder espaço no mercado internacional caso o custo final ao consumidor americano aumente, como prevê a lógica da oferta e demanda.

A decisão americana, anunciada pelo ex-presidente Donald Trump, tem motivações políticas e já provoca reações no governo brasileiro. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva declarou que priorizará o diálogo, mas não descarta a adoção de medidas retaliatórias amparadas na Lei de Reciprocidade Econômica aprovada este ano.

Analistas econômicos apontam que a taxação pode desencadear uma “mini guerra comercial”, trazendo consequências para diversos setores da economia dos dois países, com impactos não apenas no agronegócio e na indústria, mas também no câmbio e nos investimentos internacionais.

O governo federal já sinalizou que poderá recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC), buscando contestar a legalidade da tarifa sob a ótica dos acordos internacionais de comércio. Além disso, o Itamaraty e o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços articulam reuniões bilaterais para tentar reverter a medida antes de sua entrada em vigor, prevista para 1º de agosto.

A tarifa norte-americana representa um duro golpe ao esforço de internacionalização da economia nordestina. Com estados cada vez mais dependentes do mercado externo para escoar sua produção, medidas como essa afetam diretamente empregos, arrecadação e a estabilidade econômica regional. O cenário exige respostas rápidas e coordenadas para mitigar os efeitos de uma possível retração comercial com um dos maiores parceiros do Brasil.

Leia o estudo completo da Sudene: sudene.gov.br