Quando o assunto é proteger a si mesmos ou a colegas enrolados na Justiça, não existe direita, esquerda ou extremo. O discurso ideológico some, e o que prevalece é a união de interesses. É nesse momento que o eleitor descobre que a briga de bandeira, de “Deus contra o diabo”, não passa de teatro.
Na prática, deputados de diferentes partidos e correntes se juntaram para aprovar a PEC da Blindagem, também chamada de PEC das Prerrogativas. O texto aumenta a proteção de deputados e senadores contra medidas judiciais e cria barreiras para que eles respondam por crimes comuns.
Parlamentares passam a decidir em votação secreta se um colega pode ou não ser preso por ordem da Justiça; Aumenta o alcance do foro privilegiado, dificultando processos; Restringe o avanço de ações penais e medidas cautelares contra políticos.
Na prática, a PEC coloca o mandato acima da lei comum, criando um escudo corporativista. É uma blindagem para proteger não o povo, mas os próprios políticos.
Entre os 25 deputados federais do estado, a maioria votou a favor da proposta, mostrando que, na hora de proteger privilégios, não existe partido ou ideologia que se oponha.
Votaram a favor, fortalecendo a blindagem:
Abstenções:
A lista segue longa, mas esses nomes simbolizam bem como, independentemente de partido, a grande maioria se alinham para defender seus interesses.
A farsa da ideologia
Enquanto o eleitor radical, seja da esquerda ou da direita, se engalfinha nas redes sociais defendendo “seu lado”, os políticos mostram que não têm lado. Para eles, importa apenas garantir mais imunidade, mais privilégios e menos risco de punição.
O povo, que sofre com inflação, desemprego, saúde precária e violência, assiste de longe. Defende bandeiras que só existem no discurso de campanha e nas bolhas de internet. A realidade é que, em Brasília, os partidos que se dizem opostos se tornam irmãos quando a pauta é autoproteção.
A aprovação da PEC da Blindagem escancara: a Câmara dos Deputados virou um sindicato de políticos, onde alguns até podem ser honestos, mas o interesse coletivo da classe fala mais alto do que o compromisso com o cidadão.
E o eleitor? Fica com a lição: não existe Deus ou diabo nesse jogo, todos são iguais quando se trata de proteger o próprio couro.