Mesmo controlando cargos estratégicos no governo, deputado afirma que decisão será discutida internamente e pode não incluir a atual governadora
Em entrevista, o deputado federal Eduardo da Fonte (PP) confirmou que ainda não há definição sobre apoiar a governadora Raquel Lyra na disputa pela reeleição no próximo ano. A declaração chama atenção pelo fato de o PP ocupar uma série de cargos de peso no governo estadual, sob sua articulação política.
“Não é desembarque. Veja, nós vamos discutir internamente com todos os quadros do partido. O PP hoje tem quase cinquenta prefeitos, mais de quinze deputados ligados ao nosso conjunto político, mais de trezentos e trinta e seis vereadores em todas as cidades do estado. Criamos conselhos para fortalecer prefeitos e vereadores, para termos voz e vez. E vamos apresentar propostas de governo aos candidatos para decidir qual caminho seguiremos”, afirmou o parlamentar.
Questionado se o partido deve marchar com Raquel Lyra ou com o prefeito do Recife, João Campos, em 2026, Eduardo da Fonte foi categórico: “A decisão não será individual, será coletiva. Vamos avaliar as soluções apresentadas por Raquel e João, escutar as ruas e conversar com o povo para definir”.
Os cargos do PP no governo Raquel Lyra
Mesmo sem confirmar apoio à governadora, o PP ampliou sua participação na máquina estadual e hoje controla importantes espaços:
Secretaria de Turismo e Lazer – sob o comando do deputado estadual Kaio Maniçoba (PP).
Empetur (Empresa de Turismo de Pernambuco) presidência indicada pelo PP.
Arena Pernambuco – presidida pela ex-vereadora Michele Collins (PP).
Detran-PE – direção entregue ao partido.
Lafepe (Laboratório Farmacêutico de Pernambuco) espaço sob influência política do PP.
Ceasa (Centrais de Abastecimento de Pernambuco) também articulada pelo partido.
Iterpe (Instituto de Terras e Reforma Agrária de Pernambuco) ligado ao campo de indicações progressistas.
Apesar dessa “extravagância de cargos”, Eduardo da Fonte mantém cautela e não garante fidelidade automática à governadora.
"Portanto, não está definido nem Raquel, nem João. Vamos discutir internamente, avaliar as soluções que cada um apresentou, Raquel no governo do estado e João no Recife e então tomar uma decisão. Nossa federação funciona de forma coletiva, não é decisão individual de ninguém. Vamos ouvir as ruas, conversar com o povo e só então definir nosso posicionamento." Confirmou o deputado.
A fala joga dúvida sobre a solidez da base governista e abre margem para especulações: se até quem “dá as cartas” em boa parte do governo ainda não tem posição certa, imagine os aliados esquecidos e que não tiveram espaço na gestão.
“Quando cercado por aliados duvidosos, o general sábio mantém cautela; pois mais perigoso que o inimigo declarado é o falso amigo dentro das fileiras.” Sun Tzu, A Arte da Guerra
Mesmo colocando em prática aquilo que lê e acredita, na Arte da Guerra como na política, Raquel pulou a página ou faltou à aula, ou, pior ainda, pagou pra ver.
A governadora caiu no golpe de Dudu da Fonte. Recebeu de braços abertos quem trabalha sempre no fio da conveniência, e agora paga o preço. Se até em A Arte da Guerra está escrito que o falso aliado pode ser mais letal que o inimigo declarado, o caso em Pernambuco é a prova viva.
Mais uma coisa é fato: todos já conhecem o modo operante de Eduardo da Fonte e de seus seguidores. O jogo é sempre o mesmo: ocupar cargos, fortalecer espaços e, no momento certo, virar a mesa ou ameaçar fazê-lo.
Agora resta apenas aguardar: a pancada não é uma questão de “se”, mas de “quando”.
Agora, se até quem foi beneficiado desde o início da gestão de Raquel está nesse ritmo, imagine os esquecidos que carregaram a governadora nas costas e depois foram abandonados por ela. A conta, cedo ou tarde, chega. Isso também é um fato!