Em Pernambuco, já virou regra: quando falta defesa, sobra desculpa. E quando a pergunta é por que a governadora Raquel Lyra não cresce nas pesquisas, surge mais um capítulo para explicar o enigma e este veio direto do próprio governo.
Nesta quarta-feira (10), o presidente do IPA, Miguel Duque, resolveu “brilhar sozinho”. Distribuiu para a imprensa um texto oficial celebrando a entrega de quarenta e cinco novos veículos ao Instituto Agronômico de Pernambuco. Detalhe: nenhuma linha citando quem é, no papel, a chefe do Executivo estadual. Sim, a governadora.
No texto, parecia até que Miguel havia assumido o governo. Foi ele quem entregou, foi ele quem modernizou, foi ele quem renovou a frota, foi ele quem acelerou as ações… Só faltou anunciar a nova sede do Palácio do Campo das Princesas: “Governo Miguel Duque”.
A repercussão foi tão grande que o próprio presidente do IPA teve que telefonar para explicar o deslize. Segundo ele, “tudo foi culpa da assessoria”. A velha frase-padrão do serviço público: culpa é sempre de alguém que não está na foto.
Miguel correu para remendar dizendo:
“Nada seria possível sem ela.”
Frase que, por si só, confirma exatamente o que faltou no texto original: ela.
A situação revela algo que Pernambuco inteiro percebe:
falta defesa política à governadora mesmo dentro do próprio governo.
E quando a base não sustenta, o desgaste cresce e as pesquisas mostram isso com a frieza de sempre.
Enquanto Miguel tentava apagar o incêndio, o Governo divulgou nota oficial registrando que Raquel Lyra, de fato, entregou a nova frota que reforça o IPA em assistência técnica, extensão rural e infraestrutura hídrica. Ou seja: o protagonismo era dela, mas o crédito quase ficou com outro. Em qualquer país sério, um episódio desses traria consequências políticas imediatas. Aqui, vira “erro de assessoria”.
O caso evidencia o que muitos vêm repetindo:
não adianta ter obra, entrega e investimento se falta comunicação, alinhamento e lealdade política.
E quando ecoa a pergunta, “Por que Raquel não cresce nas pesquisas?”
A resposta, infelizmente, pula diante dos olhos.
Basta ver quem está falando…
E mais ainda: quem está calando.