A grave instabilidade jurídica do MDB em Pernambuco já produz efeitos concretos no tabuleiro político de 2026. Com o diretório estadual considerado “inativo” no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cresce a certeza de que parlamentares da legenda não terão segurança jurídica para disputar a próxima eleição, o que força uma saída estratégica ainda na janela partidária de abril.
Nesse cenário, a deputada federal Iza Arruda e o deputado estadual Jarbas Filho, hoje no MDB, já admitem nos bastidores que precisarão buscar uma nova casa partidária para garantir a reeleição. Já o deputado estadual Waldemar Borges, que se filiou ao MDB por força de uma composição política na Assembleia Legislativa, tende a fazer o caminho inverso: voltar ao PSB, seu antigo ninho, após cumprir com zelo, a missão de tensionar a base da governadora Raquel Lyra dentro da legenda.
Apesar das tentativas do ex-deputado federal Raul Henry, que recentemente esteve em Brasília com possíveis candidatos para dialogar com a direção nacional do MDB, a realidade é dura: o partido em Pernambuco está paralisado. A convenção estadual realizada em 24 de maio, que elegeu Henry presidente, segue judicializada, e todos os membros do diretório aparecem como inativos no TSE.
Com isso, possíveis filiações para 2026 foram abortadas. Ninguém quer apostar numa legenda que pode não conseguir formar chapas proporcionais a tempo. A exceção é o senador Fernando Dueire, que, por disputar cargo majoritário, não depende de chapas para viabilizar sua candidatura à reeleição.
Nos bastidores, a movimentação é intensa.
Jarbas Filho avalia seriamente uma filiação ao PSD, partido da governadora Raquel Lyra.
Iza Arruda conversa com diferentes legendas, incluindo o PSB, comandado em Pernambuco pelo prefeito do Recife, João Campos.
Já Waldemar Borges, tudo indica, retornará ao PSB durante a janela partidária. Na Alepe, a leitura é clara: sua passagem pelo MDB teve prazo e objetivo definidos e ambos já foram cumpridos.
Na eleição de 2022, o PSB elegeu cinco deputados federais em Pernambuco, com as seguintes votações:
Pedro Campos – 172.526 votos
Eriberto Medeiros – 99.226 votos
Lucas Ramos – 85.571 votos
Guilherme Uchoa Júnior – 84.592 votos
Felipe Carreras – 76.528 votos
Esse grupo forma a base federal do partido no Estado e será diretamente impactado caso Iza Arruda opte por se filiar ao PSB, aumentando a disputa interna por votos e espaço na chapa proporcional de 2026. Na eleição passada, Iza Arruda, pelo MDB, obteve 103.950 mil votos, desempenho considerado competitivo e que a credencia a brigar por reeleição em qualquer legenda de médio ou grande porte.
Iza Arruda acompanha de perto a crise jurídica do MDB e já avalia novos caminhos partidários. Nos bastidores, cresce a leitura de que uma eventual filiação ao PSB pode ser o caminho mais fácil para garantir sua reeleição em 2026, diante de uma legenda estruturada, com forte presença estadual, comando definido e capacidade real de montar uma chapa competitiva. Com uma votação expressiva na última eleição, Iza chegaria como nome viável e com peso eleitoral, ampliando suas chances em um cenário de menor risco jurídico e político.
A crise do MDB é reflexo direto de sua divisão interna.
De um lado, Raul Henry, alinhado ao projeto de João Campos.
Do outro, Fernando Dueire e Jarbas Filho, que se posicionaram na base da governadora Raquel Lyra.
A judicialização da convenção virou uma guerra sem fim: cada avanço de um grupo é imediatamente questionado pelo outro. O processo chegou recentemente ao TSE, mas a expectativa é de que nenhuma decisão definitiva seja tomada antes do recesso do Judiciário — o que só agrava a insegurança.
Mesmo com autorização judicial provisória para administrar recursos e evitar inadimplência, Raul Henry não consegue avançar politicamente. O MDB de Pernambuco vive hoje uma situação-limite: sem comando legítimo, sem segurança jurídica e sem atratividade eleitoral. Resultado: quem tem mandato procura saída. Quem pensava em entrar, já desistiu. E o partido, que já foi protagonista, corre o risco de assistir a 2026 apenas da arquibancada.