MDB vs MDB
MDB em colapso jurídico acelera debandada e empurra deputados para novas siglas em 2026.
Com diretório “inativo” no TSE, Iza Arruda e Jarbas Filho devem trocar de partido; Waldemar Borges pode voltar ao PSB após cumprir missão contra Raquel Lyra.
19/12/2025 13h50 Atualizada há 6 meses
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Foto/ZEDOPOVO.com.br

A grave instabilidade jurídica do MDB em Pernambuco já produz efeitos concretos no tabuleiro político de 2026. Com o diretório estadual considerado “inativo” no sistema do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), cresce a certeza de que parlamentares da legenda não terão segurança jurídica para disputar a próxima eleição, o que força uma saída estratégica ainda na janela partidária de abril.

Nesse cenário, a deputada federal Iza Arruda e o deputado estadual Jarbas Filho, hoje no MDB, já admitem nos bastidores que precisarão buscar uma nova casa partidária para garantir a reeleição. Já o deputado estadual Waldemar Borges, que se filiou ao MDB por força de uma composição política na Assembleia Legislativa, tende a fazer o caminho inverso: voltar ao PSB, seu antigo ninho, após cumprir com zelo, a missão de tensionar a base da governadora Raquel Lyra dentro da legenda.

MDB judicializado, sem comando e sem prazo

Apesar das tentativas do ex-deputado federal Raul Henry, que recentemente esteve em Brasília com possíveis candidatos para dialogar com a direção nacional do MDB, a realidade é dura: o partido em Pernambuco está paralisado. A convenção estadual realizada em 24 de maio, que elegeu Henry presidente, segue judicializada, e todos os membros do diretório aparecem como inativos no TSE.

Com isso, possíveis filiações para 2026 foram abortadas. Ninguém quer apostar numa legenda que pode não conseguir formar chapas proporcionais a tempo. A exceção é o senador Fernando Dueire, que, por disputar cargo majoritário, não depende de chapas para viabilizar sua candidatura à reeleição.

Iza e Jarbas já olham para outros partidos

Nos bastidores, a movimentação é intensa.

Já Waldemar Borges, tudo indica, retornará ao PSB durante a janela partidária. Na Alepe, a leitura é clara: sua passagem pelo MDB teve prazo e objetivo definidos e ambos já foram cumpridos.

Na eleição de 2022, o PSB elegeu cinco deputados federais em Pernambuco, com as seguintes votações:

Esse grupo forma a base federal do partido no Estado e será diretamente impactado caso Iza Arruda opte por se filiar ao PSB, aumentando a disputa interna por votos e espaço na chapa proporcional de 2026. Na eleição passada, Iza Arruda, pelo MDB, obteve 103.950 mil votos, desempenho considerado competitivo e que a credencia a brigar por reeleição em qualquer legenda de médio ou grande porte.

Iza Arruda acompanha de perto a crise jurídica do MDB e já avalia novos caminhos partidários. Nos bastidores, cresce a leitura de que uma eventual filiação ao PSB pode ser o caminho mais fácil para garantir sua reeleição em 2026, diante de uma legenda estruturada, com forte presença estadual, comando definido e capacidade real de montar uma chapa competitiva. Com uma votação expressiva na última eleição, Iza chegaria como nome viável e com peso eleitoral, ampliando suas chances em um cenário de menor risco jurídico e político.

MDB rachado entre João e Raquel

A crise do MDB é reflexo direto de sua divisão interna.
De um lado, Raul Henry, alinhado ao projeto de João Campos.
Do outro, Fernando Dueire e Jarbas Filho, que se posicionaram na base da governadora Raquel Lyra.

A judicialização da convenção virou uma guerra sem fim: cada avanço de um grupo é imediatamente questionado pelo outro. O processo chegou recentemente ao TSE, mas a expectativa é de que nenhuma decisão definitiva seja tomada antes do recesso do Judiciário — o que só agrava a insegurança.

Um partido sem comando e sem futuro próximo

Mesmo com autorização judicial provisória para administrar recursos e evitar inadimplência, Raul Henry não consegue avançar politicamente. O MDB de Pernambuco vive hoje uma situação-limite: sem comando legítimo, sem segurança jurídica e sem atratividade eleitoral. Resultado: quem tem mandato procura saída. Quem pensava em entrar, já desistiu. E o partido, que já foi protagonista, corre o risco de assistir a 2026 apenas da arquibancada.