Pernambuco vive uma realidade dura e muitas vezes invisível: em 2025, 2.745 pessoas desapareceram, o que representa uma média de oito casos por dia e 228 por mês. Os dados constam no Painel de Indicadores Estatísticos de Desaparecimentos, do Ministério da Justiça e Segurança Pública, alimentado por informações dos estados e do Distrito Federal por meio do Sinesp.
Do total de registros, 60% dos desaparecidos são homens (1.674 casos). As mulheres representam 33%, com 908 ocorrências, enquanto 5,9% não tiveram o sexo informado.
Mas o dado que mais preocupa é o que envolve os mais vulneráveis: 25% dos desaparecimentos atingem crianças e adolescentes.
Ao longo de 2025, 695 pessoas entre 0 e 17 anos desapareceram em Pernambuco, uma média de 58 por mês, ou dois casos por dia. Entre esse público, a maioria é formada por meninas, que somaram 417 casos, correspondendo a 60% dos desaparecimentos nessa faixa etária.
Segundo o levantamento, 271 pessoas foram localizadas no último ano, número ainda distante do total de ocorrências.
O cenário se agrava quando analisado a longo prazo: 31.249 pessoas desapareceram em Pernambuco nos últimos 10 anos, uma média anual de 3.124 casos. Nesse mesmo período, apenas 8.596 foram localizadas.
Entre 2015 e 2025, o Estado contabilizou 8.506 desaparecimentos de crianças e adolescentes, dos quais 2.427 tiveram desfecho com localização.
Alguns casos ganham repercussão e ajudam a ilustrar a complexidade do problema. Em abril de 2025, um homem de 39 anos foi encontrado com vida em Gravatá, após três dias desaparecido. De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), ele havia interrompido o uso de medicamentos controlados e apresentava sinais de transtorno mental. o que reforça a relação entre desaparecimentos, saúde mental e fragilidade social.