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Pernambuco e prefeituras gastam R$ 2,65 bilhões em festas desde 2022: investimentos em festividades levantam debate sobre prioridades na gestão pública
De acordo com o levantamento, os maiores aportes foram destinados a festas como São João (R$ 584 milhões), Carnaval (R$ 510 milhões), Natal (R$ 52 milhões) e Réveillon (R$ 35 milhões).
09/06/2025 08h11
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O Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE) divulgou, na última quinta-feira (5), um dado que chama a atenção de especialistas, gestores públicos e cidadãos: entre 2022 e junho de 2025, o governo estadual e prefeituras pernambucanas empenharam mais de R$ 2,65 bilhões em festas e eventos populares. As informações fazem parte do recém-lançado Painel Festividades, ferramenta digital alimentada por inteligência artificial para organizar dados das administrações públicas sobre shows, estruturas e logística de eventos.

De acordo com o levantamento, os maiores aportes foram destinados a festas como São João (R$ 584 milhões), Carnaval (R$ 510 milhões), Natal (R$ 52 milhões) e Réveillon (R$ 35 milhões). Somente os cachês artísticos consumiram cerca de 73% dos recursos nos últimos 12 meses, com destaque para Wesley Safadão, que recebeu R$ 980 mil por uma única apresentação.

A evolução dos gastos também impressiona: o montante com cachês subiu de R$ 271 milhões em 2022 para R$ 706 milhões em 2024, representando um crescimento de mais de 160%. Já as despesas com palco, som e iluminação também mais que dobraram no mesmo período.

O presidente do TCE, Valdecir Pascoal, ressaltou que o objetivo da nova ferramenta é oferecer transparência e fomentar o controle social, dando ao cidadão e aos gestores um referencial confiável para comparação de gastos com cultura e entretenimento.

Apesar disso, o volume expressivo de recursos públicos destinados às festas levanta questionamentos. Em cidades com salários de servidores atrasados, escolas com estrutura precária ou unidades de saúde sem insumos, é legítimo destinar cifras milionárias a apresentações artísticas de alto custo?

Como destacou o chefe do controle externo do TCE, Diogo Souza, "gastar com festividades não é, por si só, ilegal. Mas é o cidadão quem deve avaliar se o investimento está sendo feito de forma compatível com a realidade do município".

Disparidades regionais também chamam a atenção. Recife lidera em valores absolutos, com R$ 337 milhões gastos entre 2022 e 2025, cerca de R$ 226 por habitante. Já cidades menores, como Itapissuma (R$ 1.418,96 por habitante) e Buenos Aires (R$ 1.233,52 por habitante), apresentam os maiores valores per capita, o que acende um alerta sobre a proporcionalidade dos investimentos frente à capacidade orçamentária local.

Num cenário onde saúde, educação e infraestrutura seguem como desafios estruturais em diversos municípios, a pergunta que ecoa é: vale a pena tanto investimento em festas? O debate está lançado, e a resposta, mais uma vez, deve vir do cidadão, fiscalizando, cobrando e, sobretudo, escolhendo com consciência seus representantes.