“Na política, não existem espaços vazios. Quem demora a mover suas peças, perde o controle do tabuleiro.” A frase resume bem o momento vivido em Gravatá. Depois de meses de articulações, conversas reservadas, aproximações e especulações sobre alianças, os três principais grupos políticos da cidade começam a colocar as cartas na mesa visando as eleições de 2026.
Com o cenário praticamente desenhado, os grupos liderados pelo prefeito Joselito Gomes (PSD), pelo ex-prefeito Joaquim Neto (PSDB) e pelo presidente da Câmara, Léo do Ar (PP), iniciam oficialmente seus movimentos estratégicos para a corrida eleitoral que promete ser uma das mais disputadas dos últimos anos no município.
O prefeito Joselito Gomes chega fortalecido após conquistar uma vitória expressiva nas eleições municipais, quando foi reeleito com 32.888 votos, o equivalente a mais de 63% dos votos válidos. Agora, Padre Joselito terá pela frente talvez o maior desafio político do seu grupo: transferir votos e consolidar o nome da primeira-dama Viviane Facundes como candidata competitiva a deputada estadual.
Há mais de seis décadas Gravatá não consegue eleger um representante filho da terra para a Assembleia Legislativa de Pernambuco, o que aumenta ainda mais o peso político dessa missão.
Viviane Facundes, que também preside em Gravatá o partido da governadora Raquel Lyra, vem construindo sua imagem política através do trabalho desenvolvido nas secretarias de Assistência Social e Obras. Nos bastidores, aliados destacam sua postura firme, capacidade de gestão e presença constante nas ações do governo municipal. Em um ambiente político historicamente dominado pelos homens, Viviane aposta na força da representatividade feminina, na personalidade marcante e na aproximação com a população para consolidar seu espaço no cenário estadual.
Para deputado federal, Joselito já definiu apoio ao deputado André Ferreira (PL), um dos parlamentares mais votados de Pernambuco nas eleições de 2022. Ligado à Igreja Assembleia de Deus e irmão do ex-prefeito de Jaboatão Anderson Ferreira, André possui forte influência junto ao segmento evangélico e chega ao grupo governista como uma das apostas para ampliar a força política de Gravatá em Brasília.
Do outro lado do tabuleiro político, o ex-prefeito Joaquim Neto também já definiu seus nomes e começou a apresentar suas peças para a disputa.Para deputado estadual, Joaquim aposta no médico Bruno Marques (PSB), filho do prefeito de Petrolândia, Fabiano Marques. Tendo a saúde como principal bandeira, Bruno vem construindo um discurso voltado para a realidade das famílias do interior que enfrentam dificuldades no acesso ao atendimento médico especializado. Durante encontro em Gravatá, o pré-candidato afirmou conhecer de perto o sofrimento de quem precisa sair de sua cidade em busca de tratamento na capital. Mesmo disputando seu primeiro mandato eletivo, Bruno é tratado dentro do PSB como uma das prioridades do partido do prefeito do Recife, João Campos.
Aliados afirmam que o médico já possui atuação política em mais de 240 municípios pernambucanos, fator que fortalece suas chances na corrida por uma vaga na ALEPE.
Já para deputado federal, Joaquim mantém aliança com Lucas Ramos (PSB), nome conhecido do eleitor gravataense. Ex-secretário estadual de Ciência e Tecnologia, ex-deputado estadual e atualmente deputado federal, Lucas ampliou sua atuação política além do Sertão e vem consolidando espaço no Agreste pernambucano. Com trânsito político em diversas regiões do estado, Lucas é visto como um parlamentar experiente e com forte capacidade de articulação política e administrativa.
Enquanto Joselito e Joaquim movimentam suas peças, o presidente da Câmara de Gravatá, Léo do Ar (PP), também entra no jogo e passa a ser apontado como o terceiro grupo político estruturado da cidade.
Conhecido pela forte atuação nos bastidores e pela habilidade de articulação política, Léo construiu sua liderança ao longo dos anos mantendo influência no Legislativo municipal e consolidando uma base própria dentro da política gravataense.
Agora, Léo do Ar também se coloca oficialmente como pré-candidato a deputado estadual, entrando de vez no tabuleiro eleitoral e fortalecendo ainda mais o peso político do seu grupo para as eleições de 2026. Nos bastidores, aliados avaliam que sua candidatura representa não apenas um projeto pessoal, mas também a tentativa de consolidar uma força política independente dentro de Gravatá e representar o Legislativo Municipal na Assembleia Legislativa., ampliando o debate eleitoral e fortalecendo a disputa por espaço na ALEPE.
Com isso, o tabuleiro político de Gravatá começa a ganhar forma. As cartas estão sendo colocadas na mesa, as alianças vão se consolidando e o eleitor passa a observar atentamente cada lance desse verdadeiro jogo de xadrez que promete movimentar intensamente os bastidores da política local até 2026.
Um ponto em comum une hoje os três principais grupos políticos de Gravatá. Apesar das diferenças locais, dos palanques distintos na cidade e da disputa direta pelo eleitorado gravataense, Joselito Gomes, Joaquim Neto e Léo do Ar fazem parte da base política da governadora Raquel Lyra. No cenário estadual, pelo menos até o momento, os três grupos seguem no mesmo campo político, defendendo o fortalecimento da parceria entre Gravatá e o Governo de Pernambuco.
Com as cartas na mesa e os pré-candidatos já apresentados, começa agora uma nova fase do jogo político: a avaliação popular. Caberá ao eleitor gravataense analisar com atenção cada nome colocado no tabuleiro, observar a trajetória, o perfil, as propostas, a capacidade de articulação e o compromisso de cada grupo com o futuro da cidade e do estado.
Mais do que uma disputa partidária, a eleição de 2026 promete ser um debate sobre representatividade, força política e capacidade de trazer resultados para Gravatá. E no fim das contas, como em todo grande jogo de xadrez político, será o eleitor quem dará o xeque-mate final nas urnas.