Um esquema bilionário de descontos indevidos em aposentadorias e pensões pagas pelo INSS veio à tona após a deflagração da Operação “Sem Desconto”, no dia 23 de abril de 2025, pela Polícia Federal, Controladoria-Geral da União (CGU) e Advocacia-Geral da União (AGU).
Segundo a CGU, entre 2019 e 2024, mais de R$ 6,3 bilhões foram descontados de forma irregular, a partir de acordos com entidades fantasmas, com participação de diretores públicos, operadores privados e políticos ligados a pelo menos cinco partidos.
Políticos e partidos citados
PDT
Carlos Lupi: Ex-ministro da Previdência (governo Lula) e presidente nacional do PDT. Pediu demissão após alertas ignorados sobre o esquema. Lupi nasceu em Campinas, interior de São Paulo, mas construiu sua carreira política no Rio de Janeiro,
Wolney Queiroz: Deputado federal (PE). Participou de reuniões onde o esquema foi debatido e é ligado a emendas que facilitaram os descontos. Queiroz Maciel, é natural de Caruaru, interior de Pernambuco. Foi vice-líder e mais tarde líder do PDT na Câmara, e liderou a oposição ao governo Bolsonaro a partir de fevereiro de 2022
PSB
Alessandro Stefanutto: Ex-presidente do INSS. Afastado e exonerado do cargo. Estaria ciente das fraudes e omitiu providências. Alessandro Antonio Stefanutto é um servidor público federal de carreira, nascido em São Paulo. Ele formou-se em Direito pela Mackenzie. Em 11 de julho de 2023, foi nomeado presidente do INSS pelo ministro da Previdência, Carlos Lupi (PDT).
Edson Araújo: Deputado estadual (MA), recebeu R$ 5,4 milhões de entidade investigada. Edson Cunha de Araújo é natural de Recife (PE), engenheiro de pesca de formação e construiu toda sua carreira política no Maranhão.

PT
Carlos Veras: Deputado federal. Seu irmão preside a Contag, entidade que movimentou mais de R$ 2 bilhões no esquema. Carlos é natural de Tabira, município no Sertão do Pajeú, Pernambucano. Militante ativo em movimentos sindicais (CUT), agrários e sociais (MST, FETAPE), em sintonia com as pautas do PT e com os governos do presidente Lula. Embora não seja citado diretamente na PF, o irmão dele é financeiro da Contag e foi citado como ligação da entidade central no esquema.
Frei Chico: Irmão do presidente do Presidente Lula, vice do Sindnapi, entidade que disparou em filiações e arrecadações durante o período. José Ferreira da Silva, mais conhecido como Frei Chico, é natural de Caetés, no Agreste de Pernambuco. Migrado para São Paulo jovem, trabalhou como soldador no ABC Paulista, ligando-se ao movimento sindical dos metalúrgicos. É amplamente reconhecido como a pessoa que apresentou Lula ao sindicalismo no ABC, em fins da década de 1960, e chegou a indicar o irmão, hoje presidente para assumir um cargo de suplente na direção do sindicato.
PL
Onyx Lorenzoni: Ex-ministro de Bolsonaro. Recebeu doação de R$ 60 mil de dirigente de entidade investigada. Lorenzoni, nascido em Porto Alegre, RS, é médico veterinário pela UFSM e iniciou sua carreira política na década de 1980 como presidente do Sindicato dos Médicos Veterinários do RS.
Republicanos
Abraão Lincoln: Ex-presidente estadual do partido no RN, liderava entidade que firmou convênio com o INSS sem sequer ter associados. Lincoln Ferreira da Cruz é natural de Caiçara do Norte (RN) — foi nessa região do estado que se destacou como sindicalista, e foi presidente estadual do PRB (atual Republicanos) no Rio Grande do Norte.
PSD
José Carlos Oliveira: Ex-presidente do INSS e ex-ministro da Previdência de Bolsonaro. Ligado a entidades suspeitas e assessores citados. Carlos Oliveira, nascido em Macambira, Sergipe, é técnico de seguro social, administrador, e servidor de carreira do INSS. Ele ingressou no então INPS em julho de 1985 e ocupa diversos cargos na autarquia desde então.

Presos, afastados e alvos da operação
Presos:
A PF já cumpriu 6 mandados de prisão temporária. Três pessoas foram presas e três continuam foragidas. Os nomes ainda estão sob sigilo judicial. Todos os presos seriam dirigentes de entidades conveniadas ao INSS.
Afastados ou exonerados:
Alessandro Stefanutto – ex-presidente do INSS
Virgílio Oliveira Filho – ex-procurador-geral do INSS
Vanderlei Barbosa – diretor de Benefícios
Giovani Fassarella Spiecker – coordenador de Atendimento
Jucimar Fonseca da Silva – coordenador de Pagamentos
Um policial federal, lotado em Congonhas, foi afastado por suspeita de ligação com o esquema e flagrado com US 200 mil.
INSS: Quem são os servidores suspeitos de participar de esquema bilionário
Cinco executivos da autarquia são investigados pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União por supostamente participarem de fraude superior a R$ 6,3 bilhões
Geovani Batista Spiecker, diretor substituto de benefícios e relacionamento com o cidadão; (afastado)
Alessandro Antonio Stefanutto, ex-presidente do INSS;
Andre Paulo Feliz Fidelis, ex-diretor de Benefícios e relacionamento com o cidadão;
Jucimar Fonseca da Silva, coordenador-geral de pagamento de benefícios; (afastado)
e Virgilio Antonio Ribeiro de Oliveira Filho, Procurador-Geral da Procuradoria Federal Especializada junto ao INSS. (afastado)

Como funcionava o esquema
Associações firmavam Acordos de Cooperação Técnica (ACTs) com o INSS, aplicavam descontos mensais nos benefícios de aposentados sem autorização, muitos beneficiários tinham até 5 descontos simultâneos e não sabiam a origem. A CGU entrevistou 1.300 aposentados, 97% afirmaram nunca ter autorizado nada, o operador Antônio “Careca do INSS” Antunes movimentou milhões, usando até empresas no exterior.
sse é um dos maiores escândalos da história recente da Previdência Social. Atingiu governos distintos (Bolsonaro e Lula), e expôs falhas graves de fiscalização, aparelhamento institucional e uso político da máquina pública.
Enquanto nomes de peso seguem sendo investigados, a justiça começa a agir, e os aposentados cobram devolução imediata do que foi indevidamente tirado.
Governo já iniciou devolução de valores a aposentados lesados no escândalo do INSS
O governo federal já começou a reembolsar os aposentados e pensionistas que tiveram descontos indevidos em seus benefícios por conta do esquema investigado na Operação Sem Desconto.
De acordo com o INSS e a AGU, R$ 292,7 milhões já foram devolvidos a milhares de segurados, com os valores creditados diretamente junto à folha de pagamento de maio, paga até 6 de junho de 2025.
A devolução corresponde aos descontos realizados em abril, que foram retidos antes de serem repassados às entidades suspeitas. A ação foi possível graças à intervenção da CGU e da AGU, que conseguiram bloquear judicialmente bilhões em bens dos envolvidos.
Segundo dados oficiais:
Mais de 1,9 milhão de beneficiários já solicitaram o reembolso;
O volume total de pedidos supera R$ 1 bilhão;
As próximas restituições estão programadas para as folhas dos meses seguintes, conforme o cruzamento de dados é finalizado.
A devolução de valores descontados antes de abril de 2025 ainda está sob análise, e será feita mediante comprovação de que o desconto foi ilegal ou não autorizado.
Para consultar ou pedir devolução, o cidadão pode:
Acessar o aplicativo ou site Meu INSS;
Ligar gratuitamente para o número 135.
A orientação do INSS é que todos os beneficiários verifiquem seu extrato e, em caso de dúvida, solicitem exclusão de mensalidade e reembolso diretamente pelos canais oficiais.
Reiteramos que todos os nomes e entidades citados têm o direito ao contraditório e à ampla defesa. Nossos canais de comunicação estão abertos a todos os envolvidos ou seus representantes legais para esclarecimentos, notas de posicionamento ou entrevistas, sempre que desejarem.
Nosso objetivo é informar com responsabilidade, ouvindo todos os lados e contribuindo para que a verdade prevaleça.
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