Gravatá está cansada. Cansada das mesmas picuinhas políticas, dos mesmos jogos de interesse e, principalmente, de uma Câmara de Vereadores que, ao invés de ser espaço de debate e fiscalização, tornou-se um reduto de barganha por cargos. A maioria dos parlamentares gravataenses parece ter se perdido no próprio labirinto de conveniências, usando a política como meio de sobrevivência financeira, e não como instrumento de transformação social.
Não é segredo para ninguém que, por trás de muitas das denúncias espalhadas por aí, o que há mesmo é a busca por espaços no governo. Vereadores que deveriam fiscalizar e propor, vivem nos corredores da política mendigando cargos no Executivo e no Legislativo. E quando esses cargos não chegam, partem para o ataque. O caso do vereador Léo do Ar, que preside a Câmara como um verdadeiro dono do cofre, é simbólico. Seus serviçais atacam a gestão do prefeito Padre Joselito a mando das sombras, enquanto ele diz aos quatro ventos que não consegue falar com o prefeito. Mas a verdade é que ele quer ser ouvido para ser atendido, e não para colaborar. Como sempre fez em todas as gestões, inclusive na do ex-prefeito Joaquim Neto.
A ironia é cruel: os mesmos vereadores que dizem defender o povo, custam quase R$ 50 milhões aos cofres públicos. E ainda querem mais. A denúncia recente sobre o número de cargos distribuídos na Câmara entre 2021 e 2024 e o silêncio sepulcral dos envolvidos mostra que, se há um mapa do tesouro, ele foi entregue a poucos. E quem tenta questionar, é calado.
Tudo isso lembra, de forma inquietante, o que George Orwell escreveu em A Revolução dos Bichos. Na obra, os animais se rebelam contra os humanos opressores para conquistar liberdade e igualdade, mas acabam sendo traídos pelos próprios líderes da revolução. Os porcos, que representavam a promessa de mudança, passam a agir exatamente como os antigos tiranos, explorando os demais para manter seus privilégios.
Aqui, a maioria dos vereadores de Gravatá assumiram o papel dos porcos de Orwell. Pregam moralidade, mas agem por interesse. Dizem que lutam pelo povo, mas defendem seus próprios bolsos. Enquanto isso, o povo assim como os animais da granja permanece explorado, iludido por discursos que não passam de cortinas de fumaça.
Gravatá precisa, urgentemente, de uma Câmara que fiscalize de verdade, que dialogue com responsabilidade, que pressione o Executivo por resultados concretos e não por nomeações. A cidade só vai avançar quando seus representantes entenderem que o mandato é um instrumento de serviço público, e não um privilégio de castas.
Do contrário, continuaremos a viver a nossa própria "Revolução dos Bichos", onde todos dizem ser diferentes, mas alguns, os de sempre, continuam sendo mais iguais que os outros.
"E uma triste constatação se perpetua: enquanto Léo do Ar estiver na presidência, sai uma Câmara ruim e entra outra ainda pior, com mais vícios."
Sensação
Vento
Umidade