A fruticultura brasileira, especialmente no Nordeste, está sob forte ameaça após o anúncio do governo dos Estados Unidos de impor uma tarifa de 50% sobre a importação de produtos agrícolas do Brasil. A medida, que entra em vigor no dia 1º de agosto, atinge em cheio os produtores do Vale do São Francisco, com destaque para Pernambuco, o estado mais afetado pela medida.
Segundo levantamento, cerca de 77 mil toneladas de frutas brasileiras aguardam exportação para o mercado norte-americano e correm risco de estragar ou serem vendidas a preços abaixo do mercado. Dentre os produtos ameaçados, destacam-se:
36,8 mil toneladas de manga
18,8 mil toneladas de frutas processadas, como açaí
13,8 mil toneladas de uva
7,6 mil toneladas de outras frutas tropicais
A decisão do presidente norte-americano Donald Trump pegou o setor de surpresa e já provocou a suspensão dos embarques de frutas, grãos, carnes e pescados brasileiros. A medida é vista por analistas como parte de uma escalada protecionista.
O impacto é ainda mais grave em Pernambuco, líder nacional na produção de manga e uva, com destaque para a região do Vale do São Francisco. A interrupção nos embarques pode resultar em prejuízos milionários, demissões em massa e colapso na logística de escoamento da produção.
“Não podemos colocar essa manga no mercado interno, porque vai colapsar o mercado. Urge uma definição, urge o bom senso, urge um pensamento global, para que não tenhamos que deixar manga no pé”, afirmou Guilherme Coelho, presidente da Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas).
Segundo ele, a alternativa de redirecionar os produtos para a Europa não é viável no momento. “Agora estamos bastante inseguros. Infelizmente, a essa altura, não podemos jogar essa manga na Europa. O preço vai desabar, e não há logística para isso.”

Setor teme colapso no segundo semestre
O segundo semestre do ano é tradicionalmente o período de maior exportação de frutas do Brasil, responsável por grande parte da receita anual do setor. Com a tarifa, o risco de colapso no escoamento, perda de safra e falência de pequenos produtores é real. A Abrafrutas alerta que, se a situação não for revertida, os efeitos se estenderão para as próximas safras, comprometendo investimentos futuros e afetando toda a cadeia produtiva.
Diante do cenário crítico, o Ministério das Relações Exteriores do Brasil enviou uma carta oficial ao governo norte-americano solicitando a exclusão dos produtos agrícolas da medida tarifária. O vice-presidente Geraldo Alckmin também se envolveu nas negociações, buscando abrir espaço para um período de transição de 90 dias, que permita ao Brasil negociar alternativas e ajustar sua logística de exportação.
Apesar das articulações diplomáticas, ainda não há garantias de que a tarifa será suspensa ou postergada. Produtores e exportadores cobram respostas rápidas do governo federal para evitar perdas irreversíveis. Entre as possíveis medidas emergenciais estão:
Redirecionamento para outros mercados, como Oriente Médio e Ásia
Criação de incentivos fiscais e linhas de crédito emergenciais
Campanhas de consumo interno para absorver parte do excedente
A nova tarifa imposta pelos EUA pode desencadear uma crise sistêmica no setor de fruticultura brasileira, com efeitos mais agudos em Pernambuco. Com milhares de toneladas de frutas prontas para embarque, os produtores se veem sem saída imediata e pressionam o governo por soluções diplomáticas e logísticas. A depender dos próximos dias, o setor pode passar de recordes de exportação para um cenário de desperdício e desemprego em massa.
Até o momento, o Governo de Pernambuco não publicou nenhuma manifestação oficial específica ou nota de posicionamento sobre a tarifa de 50% imposta pelos EUA às exportações brasileiras de frutas.
Entretanto, entidades importantes do estado têm mostrado preocupação com a medida:
A Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste) estimou que a tarifa pode provocar um prejuízo anual de até R$ 1 bilhão nas exportações de Pernambuco, sendo este o quarto maior exportador da região para os EUA em 2025.
O Superintendente da Sudene, Danilo Cabral, afirmou que o Nordeste como um todo corre o risco de perder até R$ 16 bilhões por ano, com impacto em estados como Ceará, Bahia, Maranhão e Pernambuco, que juntos somam US$ 2,5 bilhões em exportações para os EUA em 2024.
O economista José Farias, também da Sudene, reforçou essa estimativa, apontando que Pernambuco pode sofrer um impacto direto próximo a R$ 1,1 bilhão por ano com o tarifaço.
Apesar desses alerta, até o momento nenhuma comunicação formal da Secretaria de Desenvolvimento Econômico, da Agricultura ou de qualquer órgão público do Governo do Estado de Pernambuco referindo-se especificamente à tarifa americana sobre frutas.
Fonte: Abrafrutas
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