A volta dos trens em Pernambuco está cada vez mais perto de sair do papel. A Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene) anunciou, nesta terça-feira (22), uma parceria com a Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) para realizar dois estudos que podem transformar a forma como as pessoas e mercadorias circulam pelo estado.
O projeto envolve dois trechos ferroviários estratégicos: um de passageiros, ligando Recife a Caruaru, e outro de cargas, entre Petrolina e Salgueiro. A iniciativa promete melhorar a mobilidade, movimentar a economia e abrir espaço para o crescimento do turismo no interior.
O primeiro estudo foca na criação de um trem de passageiros entre Recife e Caruaru, num trajeto estimado em 120 km. A proposta é verificar se a estrutura ferroviária antiga pode ser reaproveitada ou se será necessário construir uma nova linha.
Além de ser uma alternativa moderna e eficiente para a BR-232, a iniciativa tem potencial para melhorar o deslocamento diário de trabalhadores, estudantes e turistas. A viagem de trem tende a ser mais rápida, confortável e segura e com impacto direto na economia das cidades.
Mas o destaque vai para o potencial turístico. Caruaru é um dos destinos mais procurados do estado, principalmente durante o São João, e também se destaca pelo artesanato, feiras e cultura popular. Com um trem ligando a cidade diretamente ao Recife, a expectativa é atrair ainda mais visitantes e facilitar o acesso de turistas ao Agreste, gerando renda e fortalecendo pequenos negócios ao longo do percurso.
Já o segundo estudo busca viabilizar uma ferrovia de cerca de 250 km entre Petrolina e Salgueiro. O foco aqui é o transporte de cargas, principalmente da fruticultura irrigada do Vale do São Francisco, uma das principais atividades econômicas da região.
A ideia é integrar essa produção à Transnordestina e aos portos de Suape (PE) e Pecém (CE), facilitando o escoamento da mercadoria para o mercado interno e até internacional. A expectativa é que o transporte ferroviário reduza em até 40% o custo logístico, na comparação com o transporte rodoviário.
Petrolina, com sua localização estratégica às margens do Rio São Francisco, pode se tornar um polo hidroferroviário importante. Já Salgueiro, por estar no entroncamento de grandes rodovias e no caminho da Transnordestina, se fortalece como entreposto logístico.
A proposta vai além de ligar cidades: ela representa um novo modelo de desenvolvimento para Pernambuco. Ao unir transporte ferroviário, rodoviário e hidroviário, o estado caminha para uma logística mais moderna, eficiente e sustentável.
Além disso, é uma oportunidade de gerar empregos, movimentar o turismo, reduzir congestionamentos e ampliar o acesso de comunidades menores a serviços e mercados.
O superintendente da Sudene, Danilo Cabral, avalia que a proposta resgata um antigo potencial da região e está alinhada com os desafios atuais de mobilidade e desenvolvimento. “A intenção é melhorar o transporte de passageiros entre essas cidades, retomando um plano que remonta ao final do século 19. É uma ação relevante por fortalecer o setor de confecções, estimular o turismo e ainda contribuir para a redução do fluxo de veículos na BR-232”, afirmou.
Os estudos técnicos devem ser formalizados nas próximas semanas e a previsão é que os primeiros resultados sejam apresentados até o primeiro trimestre de 2026. A partir daí, será possível definir os próximos passos para tirar o projeto do papel.
Com a volta dos trens, Pernambuco ganha fôlego para crescer de forma integrada e inteligente. O projeto liga o passado ao futuro: resgata a tradição ferroviária do estado e aponta para soluções sustentáveis, mais baratas e com grande impacto econômico e social.
Do Recife ao Agreste, do Sertão ao litoral, os trilhos que antes ficaram no esquecimento agora voltam com força total, prontos para levar desenvolvimento, mobilidade e esperança para milhares de pernambucanos.
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