O Partido Liberal (PL) promoveu uma mudança inesperada em seu diretório municipal no Recife: o ex-ministro e aliado de Jair Bolsonaro, Gilson Neto, foi retirado da presidência da legenda na capital. A vaga passou para o vereador Paulo Muniz, aliado direto de Anderson Ferreira, presidente estadual do PL. A decisão foi articulada por Ferreira e respaldada pela direção nacional do partido.
Embora a sigla tenha classificado o episódio como parte do processo de organização para as eleições de 2026, nos bastidores a interpretação é outra. A troca teria sido motivada por divergências estratégicas, já que Gilson vinha demonstrando interesse em disputar o Senado, enquanto Anderson Ferreira já se colocava como principal nome da legenda para essa vaga. A avaliação é de que “não há espaço para dois projetos” dentro do PL.
Surpreendido com a notícia, Gilson Neto, expulso do partido de Bolsonaro afirmou que soube do afastamento pela imprensa e lamentou a ausência de intervenção de Jair Bolsonaro, atualmente em prisão domiciliar e afastado das decisões partidárias. Para aliados, a medida foi um recado claro de que Gilson não terá espaço para disputar cargos majoritários pelo PL.
A mudança no comando também envolveu a substituição do tesoureiro municipal: André Trajano, alinhado à família Ferreira, assumiu o posto no lugar de um aliado de Gilson. A movimentação reforça a estratégia de Anderson Ferreira de consolidar o controle sobre o diretório da capital, reduzindo a influência de adversários internos.
Nos corredores políticos, a avaliação é que este episódio marca um ponto de não retorno na relação entre Anderson Ferreira e Gilson Machado, tornando o racha interno inevitável e colocando em xeque o futuro de Gilson dentro da legenda.
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