Prefeitos que gastaram além da conta com servidores terão que cortar pelo menos 10% ao ano até voltarem ao limite legal.
O Tribunal de Contas de Pernambuco (TCE-PE) ligou o alerta vermelho para dezenas de prefeituras que estouraram o limite de gastos com pessoal previsto na Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O comunicado cita que muitos municípios estão gastando bem acima do permitido, chegando a ultrapassar 120% do teto legal, o que representa um sério risco às contas públicas.
Pela lei, o limite máximo de despesa com pessoal é de 54% da receita corrente líquida (RCL). Quem passar disso precisa reduzir, no mínimo, 10% por ano, até voltar ao patamar legal, o que deve acontecer até 2032, segundo a Lei Federal nº 178/2021.
O TCE foi direto: os prefeitos que não se ajustarem correm o risco de serem responsabilizados pessoalmente, podendo enfrentar punições políticas e financeiras. O alerta ainda reforça a necessidade de medidas urgentes para equilibrar as contas e evitar que os municípios fiquem sem condições de investir em áreas essenciais, como saúde, educação e infraestrutura.

Entre os municípios que aparecem com menores índices de comprometimento estão Exu (90,04%), administrado por Júnior Saraiva; Dormentes (90,07%), sob gestão de Corrinha de Geomarco; Jatobá (90,28%), com Rogério Ferreira; e Cedro (90,39%), governado por Riva Bezerra. Esses gestores conseguiram manter a folha de pagamento dentro de um nível considerado saudável.
Cidades como Arcoverde (96,98%), Itapetim (97,17%), Santa Cruz do Capibaribe (96,13%) e Jaboatão dos Guararapes (96,94%) estão no limite da prudência. O gasto com pessoal nessas prefeituras já consome quase todo o espaço permitido pela LRF, o que exige atenção redobrada para não ultrapassar o teto nos próximos quadrimestres.
O caso é mais grave em cidades como Olinda (100,56%), Iguaracy (101,15%), Riacho das Almas (101,69%), Salgueiro (102,13%), Ribeirão (103,09%), Custódia (107,39%), Floresta (112,09%) e Igarassu (112,81%).
Mas o pior cenário está em Cortês (116,50%), Pombos (122,50%) e Goiana (122,96%), que lideram o ranking negativo e já ultrapassam em quase 70% o limite máximo da LRF.
O Tribunal determinou que os prefeitos com índices acima do permitido devem adotar imediatamente medidas de contenção, reduzindo o número de cargos comissionados, evitando contratações e controlando reajustes salariais.
O objetivo é fazer com que as gestões voltem a respeitar o limite de 54% da RCL até 2032.
O TCE também destacou que vai acompanhar de perto a situação de cada prefeitura e não descarta abrir processos específicos contra gestores que descumprirem as determinações.
PREFEITURAS EM ALERTA — QUANTO CADA MUNICÍPIO GASTA COM PESSOAL
(Base: %DTP / 54 × 100 – segundo o TCE-PE)
| Município | Prefeito(a) | %DTP | Resultado %DTP/54×100 | Relator |
|---|---|---|---|---|
| Exu | José Pinto Saraiva Júnior | 48,62 | 90,04% | Marcos Loreto |
| Dormentes | Maria do Socorro Coelho de Sousa | 48,64 | 90,07% | Ranilson Ramos |
| Jatobá | Cátia Jansara Rodrigues Aquilino | 48,75 | 90,28% | Carlos Neves |
| Cedro | Maria Riva Bezerra Rodrigues | 48,81 | 90,39% | Ranilson Ramos |
| Moreno | Edmilson Cupertino de Almeida | 48,95 | 90,65% | Ranilson Ramos |
| São João | José Wilson Ferreira de Lima | 49,26 | 91,22% | Marcos Loreto |
| Buíque | Túlio Henrique Araújo Cavalcanti | 49,43 | 91,54% | Dirceu Rodolfo |
| Canhotinho | Sandra Beijane Lopes de Barros | 49,65 | 91,94% | Marcos Loreto |
| Feira Nova | Joel Cândido Gonzaga | 49,67 | 91,98% | Ranilson Ramos |
| Chã de Alegria | Marcos Gomes do Amaral | 49,77 | 92,17% | Eduardo Lyra Porto |
| Cumaru | Maria Zeneide Medeiros da Costa | 50,20 | 92,96% | Rodrigo Novaes |
| Bom Conselho | Edezio Ferreira dos Santos Filho | 50,30 | 93,15% | Ranilson Ramos |
| Altinho | Marivaldo Pena | 50,64 | 93,78% | Carlos Neves |
| Agrestina | Josué Mendes da Silva | 50,78 | 94,04% | Eduardo Lyra Porto |
| Santa Cruz da Baixa Verde | Ismael Quintino Leite de Sousa | 50,88 | 94,22% | Eduardo Lyra Porto |
| Petrolina | Simão Amorim Durando Filho | 50,98 | 94,41% | Eduardo Lyra Porto |
| Jaboatão dos Guararapes | Luiz José Inojosa de Medeiros | 52,35 | 96,94% | Rodrigo Novaes |
| Arcoverde | José Cavalcanti Alves Júnior | 52,37 | 96,98% | Carlos Neves |
| Itapetim | Aline Karina Alves da Costa | 52,47 | 97,17% | Dirceu Rodolfo |
| Olinda | Mirella Fernanda Bezerra de Almeida | 54,30 | 100,56% | Carlos Neves |
| Iguaracy | Pedro Alves de Oliveira Neto | 54,62 | 101,15% | Eduardo Lyra Porto |
| Riacho das Almas | Dioclécio Rosendo de Lima Filho | 54,91 | 101,69% | Marcos Loreto |
| Salgueiro | Fábio Lisandro de Lima Barros | 55,15 | 102,13% | Carlos Neves |
| Ribeirão | Ana Carolina Coelho Jordão | 55,67 | 103,09% | Dirceu Rodolfo |
| Custódia | Manoel Messias de Souza | 57,99 | 107,39% | Ranilson Ramos |
| Floresta | Rosângela Maniçoba Novaes Ferraz | 60,53 | 112,09% | Dirceu Rodolfo |
| Igarassu | Elcione Ramos Pedroza Barbosa | 60,92 | 112,81% | Marcos Loreto |
| Cortês | Maria de Fátima Cysneiros Borba | 62,91 | 116,50% | Eduardo Lyra Porto |
| Pombos | Elias Batista da Rocha | 66,18 | 122,50% | Ranilson Ramos |
| Goiana | Marcílio Régio da Costa | 66,40 | 122,96% | Rodrigo Novaes |
Enquanto diversos municípios de Pernambuco enfrentam dificuldades para manter os gastos públicos dentro do limite permitido pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF), Gravatá segue cumprindo com responsabilidade suas obrigações financeiras.
De acordo com o Relatório de Gestão Fiscal (3º quadrimestre de 2024), o município registrou despesa total com pessoal equivalente a 46,95% da Receita Corrente Líquida (RCL), percentual bem abaixo do limite máximo de 54% estabelecido pela LRF para o Poder Executivo Municipal.
O relatório mostra que a Despesa Bruta com Pessoal somou aproximadamente R$ 146,9 milhões, dentro da normalidade, demonstrando que a Prefeitura tem mantido o controle sobre os gastos com folha de pagamento, encargos e aposentadorias.
Enquanto outras cidades pernambucanas foram citadas por ultrapassar os limites legais, Gravatá ficou de fora da lista justamente por cumprir as metas e respeitar os parâmetros da LRF, sinal de equilíbrio e compromisso com as contas públicas.
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