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Água vai chegar de verdade ou vai pesar no bolso? Pernambuco faz leilão bilionário do saneamento.

Governo promete investimentos, empresas entram no comando da distribuição e fica a pergunta que o povo quer saber: o problema da água em Gravatá vai acabar mesmo?

18/12/2025 15h12Atualizado há 7 meses
Por: Zé do Povo
Foto/Internet
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O Governo de Pernambuco realizou, nesta quinta-feira (18), em São Paulo, o leilão da concessão parcial dos serviços de distribuição de água e de coleta e tratamento de esgoto. No papel, os números impressionam: R$ 19 bilhões em investimentos ao longo de 35 anos e mais R$ 4,2 bilhões arrecadados em outorgas. Mas, na prática, a população quer saber uma coisa simples: a água vai chegar na torneira?

Pelo modelo aprovado, a Compesa continua responsável por produzir e tratar a água, enquanto dois grupos privados passam a cuidar da distribuição e do esgoto. O Consórcio Pernambuco Saneamento assume 150 municípios, incluindo a Região Metropolitana do Recife, o Pajeú e Fernando de Noronha. Já o grupo Pátria Investimentos fica com 24 cidades do Sertão.

A governadora Raquel Lyra classificou o leilão como “histórico” e afirmou que esse seria o único caminho para universalizar o acesso à água e ao saneamento até 2033. Segundo o governo, os recursos das outorgas serão usados exclusivamente em obras de distribuição de água.

E Gravatá, como fica?

Gravatá passa a integrar oficialmente o novo modelo de concessão do saneamento em Pernambuco. Com o leilão realizado pelo Governo do Estado, a distribuição de água e os serviços de coleta e tratamento de esgoto no município ficarão sob responsabilidade do Consórcio Pernambuco Saneamento, formado pelas empresas Acciona e BRK Ambiental, vencedoras do bloco que engloba a Região Metropolitana do Recife, o Agreste e o Pajeú.

Pelo contrato, válido por 35 anos, o consórcio privado ficará encarregado de levar a água até as casas, manter a rede, ampliar o abastecimento e cuidar do esgotamento sanitário. Já a Compesa continuará responsável pela produção e tratamento da água, ou seja, pela captação e entrega da água tratada às redes de distribuição.

É aqui que entra a dúvida do povo de Gravatá. Quem convive com calendário de abastecimento, torneira seca e promessas antigas sabe que anúncio não mata sede. O investimento é grande, o discurso é bonito, mas o histórico da falta d’água gera desconfiança.

Outra pergunta inevitável: com empresas privadas no comando da distribuição, a conta vai ficar mais cara? O governo garante que haverá fiscalização e metas claras, mas o bolso do consumidor ainda não viu garantia escrita de alívio, só de investimento no longo prazo.

O governo aposta que a parceria com a iniciativa privada vai acelerar obras, gerar empregos e melhorar a saúde da população. Os consórcios vencedores dizem que têm compromisso social e experiência no setor. Tudo isso é importante, mas não substitui o resultado concreto: água regular nas casas, inclusive nos bairros mais afastados e nas cidades do interior.

Em resumo, Pernambuco entrou numa nova fase do saneamento. Agora, cabe à população acompanhar, cobrar e fiscalizar. Porque, para quem mora em Gravatá, o que importa não é o valor do leilão na B3, mas se amanhã a água vai sair da torneira e se não vai vir com um preço ainda mais salgado.

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