Ser mulher na política nunca foi tarefa simples. Em Gravatá, onde por mais de um século os cargos de maior destaque foram ocupados majoritariamente por homens, o desafio se torna ainda maior. A cobrança é constante, a desconfiança é automática e a ciumeira política muitas vezes ultrapassa o campo administrativo para atingir o pessoal.
Viviane, atual secretária municipal de Obras e Serviços Públicos, conhece bem essa realidade. Mulher, mãe dedicada, esposa e militante ao lado do marido, o prefeito Joselito Gomes, ela também foi escolhida pela governadora para liderar seu partido na cidade, um reconhecimento político que reforça seu protagonismo regional.
Vale salientar que, em 133 anos de história, Gravatá teve bons secretários de Obras. Se alguém for citar três nomes marcantes, é possível que o dela esteja entre eles. E isso não acontece por acaso. Trabalho, presença e entrega são marcas de sua atuação.
É legítimo que a secretária seja cobrada pelas ações da pasta. É legítimo que vereadores fiscalizem. A política exige isso. O problema começa quando a crítica deixa de ser institucional e passa a ter contornos de perseguição, quando o incômodo parece não ser apenas administrativo, mas pelo fato de uma mulher ocupar um espaço tradicionalmente masculino e, mais ainda, se projetar como possível liderança política da cidade.
Quando Viviane demonstra disposição para tirar Gravatá do ostracismo eleitoral e buscar novos voos, inclusive sendo lembrada como um nome viável para representar a cidade na Assembleia Legislativa de Pernambuco, a reação de parte do cenário político é imediata. A fúria aflora, os ataques aumentam e o debate muitas vezes desce de nível.
Em uma cidade que não está acostumada a ver mulheres exercendo cargos de chefia com autonomia e personalidade forte, o enfrentamento se torna diário. Viviane é conhecida por dizer o que pensa e não se submeter ao padrão masculino de fazer política. Isso agrada muitos, mas incomoda aqueles que preferem o controle silencioso dos bastidores.
É claro: ela é humana. Gosta até de brincar e se fantasiar de Mulher-Maravilha, Mulher-Aranha, mas não é invencível. Tem limitações, comete erros como qualquer pessoa e carrega as responsabilidades de quem escolheu a vida pública. O que não se pode dizer é que não trabalha ou que não entrega resultados. Quando assume uma causa, vai até o fim, e talvez seja exatamente isso que assuste ditos “reis” da política na cidade.
Pela sua trajetória de vida e pela história familiar que carrega, não nasceu para se curvar. E, gostem ou não, Gravatá hoje tem uma mulher que pode, se assim desejar, representar legitimamente a cidade em novos espaços de destaque.
A política muda quando as mulheres ocupam seu lugar. E talvez o maior incômodo não seja o trabalho que ela faz, mas o espaço que ela passou a ocupar.
Como ela mesma costuma dizer: ‘Muito prazer, eu sou Viviane, do Padre, de Lito. Mãe de Maria Fernanda, Luiz Fernando e Maria Luíza. Filha de Mauricéia e de Edmundo taxista. Eu sou Viviane, do Prado sou Viviane de Gravatá.”
Sensação
Vento
Umidade