Enquanto o ex-ministro Gilson Machado Neto deixava o presídio do Cotel amparado por aliados e sob aplausos de apoiadores, Jair Bolsonaro permanecia em silêncio absoluto. Nem uma linha de solidariedade, nenhuma postagem de repúdio à prisão daquele que sempre foi um dos mais fiéis defensores do bolsonarismo no Nordeste.
O episódio marcou mais que uma simples liberação judicial, pode ser um divisor de águas no campo da direita brasileira.
Gilson, que foi detido no âmbito da Operação Contragolpe, deixou a prisão com mais capital político do que entrou. Tornou-se símbolo de resistência entre conservadores em Pernambuco e ganhou força nacional como possível nome de destaque para liderar um novo projeto de direita sem a sombra do bolsonarismo decadente.
Nos bastidores, muitos já apontam Gilson como a principal liderança da direita no estado, com potencial de articulação nacional. E o motivo é simples: ele não abandona aliados, não se acovarda diante de desafios e manteve firme sua postura mesmo diante da prisão.
Já Bolsonaro, em contrapartida, mais uma vez demonstrou ser um líder pouco confiável. Nos últimos meses, zombou de patriotas que acamparam em frente a quartéis, chamando-os de “malucos” , esquivou-se em depoimentos, desertou seus antigos aliados e silenciou diante da prisão do seu amigo mais fiel no Nordeste.
Bolsonaro pode até ter ligado para Gilson Neto em particular, mas a defesa pública conta e muito quando se trata das pessoas em quem você diz acreditar. Em momentos difíceis, o silêncio fala mais alto do que qualquer telefonema fora dos holofotes. Quem é aliado de verdade, não se esconde
A leitura entre aliados é clara: a nova direita precisa nascer livre desse tipo de liderança covarde e seletiva. E Gilson surge como nome viável para essa reconstrução. Sua soltura, além de devolver-lhe a liberdade, pavimenta um novo caminho: o de uma direita combativa, coerente e independente de líderes que abandonam seus soldados na primeira turbulência.
Sensação
Vento
Umidade